Para júbilo de quatro e terror das massas, voltei hoje de madrugada a Portugal. Pronto, para alegria de quatro e indiferença massiva.
Em NY, entretanto, e para contrastar, foi erguida esta estátua de zinco em minha homenagem. Agradeço.
Monday, March 31, 2008
Back Home
por
LCF
às
4:43 PM
1 nikita kruschev's comments
Tuesday, March 18, 2008
Wednesday, February 20, 2008
The Manhattan Crowd
Mais de 1,500,000 pessoas vivem em Manhattan, num espaço inferior a 60 km2. O mesmo espaço inferior a 60 km2 recebe ainda, diariamente, outros tantos milhares: são as multidões que trabalham nesta ilha mas vivem nas suas regiões periféricas: Long Island, Brooklyn, Queens, Bronx e New Jersey. Somando tanta gente dá imensa gente, mais coisa menos coisa.
Ora multidão + ilha do tamanho de cabine telefónica (mentira, Manhattan é surpreendentemente gigantesco e duvido que uma longevidade de tartaruga fosse suficiente para esburgar tudo o que aqui acontece), repito multidão + ilha do tamanho de uma cabine telefónica extremamente grande = CAOS.

"Fogo", rebate a minha incredulidade à equação prévia. Calma, incredulidade, deixa-me prosseguir. Esta aparente babel cedo se revela enganadora. Bastam uns dias, ou mesmo umas horas submergidos nela para uma outrora avassaladora realidade nos acolher e, porque não, nos abraçar. Subitamente, vemo-nos envolvidos num bailado urbano de dimensão majestosa: são centenas de milhares de pessoas que se cruzam por estas geométricas ruas com uma sincronização maquinal; espaços formam-se onde anteriormente vivalma caberia, albergando quem agora se junta à corrente; a nórdica de um metro e oitenta e quatro, vinda agora do seu apartamento em uptown, caminha imediatamente atrás, mas ao seu próprio ritmo, do asiático que acabou de entregar um sushi combo mesmo ali ao lado, que por sua vez segue a pisada do perneta que com tanto ano de Manhattan consegue ditar e não atrofiar o ritmo de uma caminhada.
Aquilo que poderia aparentar, quando visto de fora, uma mecânica linha de montagem, sem saber como nem porquê, possui uma intensidade humana que a eleva do que poderia ser visto como deprimente, até ao mágico e, quem sabe se não, por vezes, de volta ao deprimente.
"Blá, blá, blá" - protesta a minha incredulidade - "então e o sangue?". Como dignificas o pronome "minha", incredulidade... Cá vai: como qualquer espectáculo ao vivo, também este não se encontra incólume ao erro: o mendigo embriagado que cai para os carris do metro; o advogado que escorrega na rua entretanto congelada; o louco que assedia quem já só pensa em chegar a casa e sair do frio. Pequenos espirros caóticos. Adiante.
Intrinsecamente humano, o bailado ganha nova dimensão ao fim de semana. Nessa altura, o indivíduo dá lugar ao par de namorados ou à familia, os olhares largam o chão e o sorriso espreguiça-se sem pudor nem quota. Passeios na 5th avenue, patinagem no Central Park, compras que começam caras no SoHo e cujo preço segue a direcção da caminhada rumo a Chinatown. O caos, esse, mantem-se; a ordem, no entanto, dá lugar à vida. É a mudança de turno.
São duas dimensões de Manhattan, dois actos de uma mesma peça.
por
LCF
às
9:53 AM
2
nikita kruschev's comments
Labels: diário, NY, wim mertens
Saturday, January 26, 2008
HDR
Faz agora uns tantos meses desde que descobri a técnica fotográfica denominada por HDR. Primeiro achei que se tratava duma qualquer máquina especial; depois, a minha ignorância deu lugar à curiosidade e, após pesquisar, percebi que eram várias fotografias idênticas com exposições diferentes (de modo a obter as cores, sombras, etc. mais ricas), juntas numa só no computador (photoshop, por exemplo), à qual se adiciona umas piroseiras para criar um efeito quase de desenho 3d.
Ora após algumas tentativas frustradas, finalmente consegui algo decente. Tirei 3 fotografias às traseiras de minha casa, vulgo vista do meu quarto: uma normal, uma muito clara e uma muito escura. Eis o resultado e, em baixo do mesmo, a fotografia no modo automático (cliquem para aumentar).

por
LCF
às
2:02 PM
4
nikita kruschev's comments
Labels: fotografia, NY
Thursday, January 24, 2008
NY Post (get it?)
Heath Ledger morreu e um borburinho trespassou Manhattan. A poucos quarteirões de minha casa, no Soho, de overdose e aos 28 anos. Estava eu em reunião quando o corpo, encontrado pela mulher-a-dias, estava a ser levado para a ambulância. Obviamente que esse foi o tema que serviu de pontapé de saída para a dita reunião, ou a namorada do meu "superior" não fosse uma das curiosas que tirava fotos mórbidas à porta de casa do defunto.
Eu: porra, tinha só mais 1 ano que eu...
Zeca: e tinha um bebé!
Eu: Era casado? com quem?
Zeca: Era separado da Michelle Williams.
Eu: A mulher dele no Brokeback Moutain? Ou era a mulher do outro?
Zeca: Sim, era a mulher dele.
Eu: Acho que foi o único filme dele que vi. Ah, e o 10 coisas que não-sei-o-quê em ti, mas isso não é conta. Ah, e o musical dos cavaleiros. Mete um bocado de impressão, não?
Zeca: Sim, e vivia 2 ruas ao lado do meu antigo apartamento.
Eu: Bom bairro?
Zeca: Sim, porreiro. Cuidado, não te ponhas em cima das tampas de esgoto, às vezes explodem. Não sei se já reparaste mas em NY não existem postes de electricidade, é tudo subterrâneo. E às vezes corre mal...
Eu: Oh, tás a dar baile, tipo geyser?
Zeca: Conheço um gajo que viu uma explosão dessas a 10 metros dele. Logo, vá, 2 passinhos ao lado.
Eu: Bem, onde se janta?
Zeca: Thai?
A qualificação sucedeu na precisa altura em que eu via o jogo da NBA referido num post anterior, entre Knicks e Pistons. Como os americanos são entidades polidesportivas (ao contrário dos portugueses que gostam de futebol e têm a noção que somos bons a hóquei em patins), enquanto um jogo decorria no solo, os ecrãs gigantes suspensos que formam um cubo mostravam os derradeiros segundos da meia final do futebol americano, entre os NY Giants e os Green Bay Packers. Claro está que toda a gente ignorava o jogo de basket e os nervos assolavam os novaiorquinos presentes no pavilhão (contagiando o resto dos presentes, como eu), cuja equipa de futebol entrara para este jogo como claro underdog, vendo-se agora a escassos momentos de uma histórica presença na final. Mal o apito final soou, um brado conjunto varre o pavilhão, tão poderoso que o jogador de basket que estava na linha de lance livre falhou clamorosamente a execução, para riso geral.
E agora toda a cidade aguarda ansiosamente o dia da Superbowl, 3 de Fevereiro!
Em assunto de última hora, estava eu a deambular online quando cheguei ao site da histórica sala de espectáculos Carnegie Hall. A mera presença na sala é um facto digno de destaque, mas acabei de comprar bilhetes para o Tibet House Benefit Concert que conta com diversos artistas, entre os quais destaco um dos meus ícones actuais Sufjan Stevens e a brasileira Marisa Monte. Uma noite a aguardar impacientemente.
por
LCF
às
7:07 AM
1 nikita kruschev's comments
Wednesday, January 9, 2008
Carta a Magda
Encontrei finalmente um tempinho para te largar umas míseras linhas. Tinhas razão, devia ter trazido luvas, a temperatura aqui faz da amena Lisboa um trópico.
A minha casa é, à falta de melhor adjectivo, aceitável. Tenho televisão com centenas de canais no quarto/caixa de sapatos, o que se torna redundante a partir do momento que todas as minhas horas são gastas a trabalhar, a ler e a ver dvds (sim, voltei a cair nas malhas do netflix). Tenho também um sofá que mais parece uma cambalhota e que consegue simular confortabilidade durante a primeira hora. Tenho uma janela que só ao 3º dia percebi que abria, mas não me vou alongar nesse assunto. Para cozinhar a pachorra é pouca e, aliada à falta de tempo, torna o order in a solução ideal. Jantar fora é caro mas tenho ido umas vezes por semana, invariavelmente com o Norton de Matos e mais recentemente com o seu amigo músico sul-africano Jean. Os meus roommates são uma japonesa anã e um americano desaparecido em combate (em quase 2 semanas cruzei-me uma vez com ele). Não me apetece traçar-lhes o perfil.
Sim, a East Village (zona que me adoptou) é tudo aquilo que se esperava: estou rodeado de bares e restaurantes, mesmo à frente duma esquadra e a pouco mais de 5 minutos do metro que me larga à porta da agência. Estou também muito perto da enérgica St.Marks street onde, há um ano quando cá estive, os donos do restaurante japonês onde havia jantado me pediram os 2% que faltava na gorja como resgate para a minha mala, entretanto por lá olvidada. Sim, as contas com as tips aqui são um assunto para todo um post, mas vou-me adaptando.
Estou a ter estágio e aulas na Lowe. Não aprecio particularmente a agência, mas temos aulas com criativos da bbdo e da jwt que nos visitam uma vez por semana.
Apesar de muito trabalho, com tendência a aumentar, a cidade é para aproveitar:
2ª jantar no West Village. Com o Zeca, claro está.
3ª copos com a restante malta da Ad School e com um professor num bar manhoso a 2 quarteirões de minha casa. ID obrigatória, cerveja barata.
6ª conferência com o realizador Michael Gondry na Apple Store do Soho, completamente lotada, pelo que saímos mais cedo para jantar e sair a um club todo posh na West Village.
Sábado jogo da NBA Knicks-Pistons que os locais arrasaram, deixando a minha amiga Yelan literalmente de lágrima no canto do olho (nunca tinha visto os Pistons perder ao vivo). Chaves de casa esquecidas dentro da mesma pelo que houve necessidade de um compasso de espera até a japonesa anã voltar do restaurante onde trabalha.
Como está tudo contigo? Espero que estejas melhor da epilepsia.
Depois de 9 meses provisoriamente regressado ao luxo do lar, estou sem rotina de compras - fui ao supermercado mas não comprei nada do que deveria: azeite, sal, carnes, etc. Então roubei azeite à japonesa anã, que gentilmente me informou que o produto devia estar quase a celebrar o décimo aniversário. O esparguete não me soube de feição.
De resto já tenho sido abordado pelas gentes que por aí ficaram, andam a sondar as possibilidades de por cá passarem. Apesar de viver num apartado, tenho chão para uma pessoa pois a minha cama está precariamente suspensa a metro e setenta do chão. Estou a sondar também a possibilidade de ir visitar L.A. no final de Março.
O teu mastim, que tal está?
Bem, por ora é tudo. Escreve-me de volta com a tua mão boa quando puderes!
Um aceno distante, mas jamais destituído de calor.
LCF
por
LCF
às
9:58 PM
1 nikita kruschev's comments



