Friday, November 14, 2008

Monday, November 10, 2008

Parabéns ao Anjo

O Francisco Cara d’Anjo fez anos e eu dei-lhe este presente: uma presença, por um lado efémera, por outro nem tanto, no JL.
É diferente e fica em conta.
Parabéns.

Ps: Era suposto ser “Professor de Equitação”, e não um singelo e árido “Professor”. Lamento.

Tuesday, October 7, 2008

Saturday, October 4, 2008

Monday, September 29, 2008

Friday, September 12, 2008

As 3 coisas mais feias da televisão

  1. A morte ao vivo.
  2. A Teresa guilherme. Ao vivo ou em diferido.
  3. O estático.

Friday, August 22, 2008

Borges


porque a perversão e o brilhantismo andam invariavelmente de mão dada (e dedos entrelaçados), eis um pouco de cultura.

«…Alexandre e Diógenes o cínico. Chegou aquele a Corinto para dirigir a guerra contra os persas e todos acorreram a vê-lo e a agasalhá-lo. Diógenes não se moveu da sua vizinhança e Alexandre lá o encontrou uma manhã a apanhar sol. “Pede-me o que quiseres”, disse Alexandre. E o outro, do chão, pediu-lhe que não lhe fizesse sombra.
»


Oh... Yeah?



Tuesday, August 19, 2008

Maria Mutola


Porque já cá não vinha há demasiado tempo e, como todos nós sabemos, a Maria Mutola é o derradeiro reconciliador.

Saturday, July 12, 2008

Blá, Blá

"blá, blá, blá (...) o jogo-treino, com duas partes de 45 minutos, foi presenciado por 1.2000 espectadores (...) blá, blá, blá"

in Record Online, 12/7/08

Mil e duas mil pessoas, esse palíndromo desde sempre incompreendido pelo mundo matemático...

Thursday, July 10, 2008

Notícia do Dia, 2

11 Julho 2008 - 01h01

Murtosa: Assalto por esticão

Uma mulher de 40 anos foi assaltada pelo método do esticão ontem à tarde no Largo da Varina na Praia da Torreira, Murtosa. A vítima ficou sem a carteira, onde tinha dinheiro, telemóvel, chaves e documentos.

in Correio da Manhã


- Na página seguinte, homem deixa cair telemóvel no chão, estragando o visor do mesmo e, consequentemente, aborrecendo-se...

Notícia do Dia

11 Julho 2008 - 00h55

Gouveia: Fotógrafo detido

A GNR de Gouveia deteve um indivíduo de 40 anos, fotógrafo, de Fornos de Algodres, pelos crimes de posse ilegal de arma, munições e receptação. Entre outro material, foi apreendido um revólver de calibre 38.

in Correio da Manhã


- Após cuidadosa deliberação, a GNR de Gouveia ponderou a possibilidade de o indivíduo, afinal de contas, não ser um mero fotógrafo, mas sim um "fotógrafo". Essa hipótese foi refutada aquando da descoberta do filtro polarizador no estojo do supracitado.

Sunday, July 6, 2008

Dislexia

Preguiçoso o português que tomou dislexia por amplitude vocabular, permitindo que aguado ganhasse o sinónimo augado. Ou terá sido ao contrário?


Preguiçoso o americano que nem uma gota de suor verteu ao escrever o argumento de Sex and the City, the movie. Tirado a ferros, agradará apenas a fãs cegos da série e a elementos do sexo feminino famintos pela expressão feminista de culto (e pela utopia almejada e agonizada) que essa série se veio a revelar.


Dia 11, no Zé dos Bois, Bonnie "Prince" Billy. Eis uma música (à qual acresce a de dois posts atrás).


Thursday, July 3, 2008

Humor Negro

Estou profundamente convencido que se Camilo de Oliveira tivesse graça, já teria morrido.


1934 - Apocalipse

Wednesday, July 2, 2008

ode à beleza estética



porque david carradine é uma pessoa bonita, e as pessoas bonitas foram criadas para serem vistas:

O Dom

Podia ser o título de um dos cronicamente idênticos filmes de m. night shyamalan, mas não.

Eis o que li hoje, numa entrevista de josé carlos araújo à tvguia:

P: O que não perdoa aos outros?

R: Não tenho nem quero ter o dom de não perdoar.

É como eu, zé carlos, também tenho um enorme talento (ronáldico quase) para não jogar futebol. Não faço fintas como poucos e os golos que não marco não gravam as mentes de quem não me vê na televisão.
Tu, zé carlos, e mais uns quantos, andam a motivar-me a abrir a galeria dos patetas.

Saturday, June 28, 2008

Wes Anderson

Tal como a minha mãe pontapeava sopa pela boca a dentro do seu contrariado filho, também eu impinjo Wes Anderson às mentes dos meus amigos. Sei que a médio prazo me agradecerão.

"No outro dia, no escritório, estava toda a gente a falar do Life Aquatic" - disse-me um vergado Matos e Silva que, meras duas semanas antes, regou de protestos o visionamento do filme em minha casa. E eis que subitamente se viu menos ignorante graças a uma amizade comigo que, bastas vezes, lhe deve parecer de utilidade dúbia. Mas eis que o médio se torna curto. Prazo, claro está.

Os filmes de Wes Anderson e cia. (imperativo deixar aqui o nome de Owen Wilson) não estão aquém de deliciosos (sim, a minha escala avaliativa contem um delicioso, bem perto do topo). Ter Bill Murray como personagem secundária não é para quem quer. Refraseando: Ter Bill Murray não é para quem quer.

Life Aquatic with Steve Zissou é muito bom. The Royal Tenenbaums é divinal. Rushmore é, se a memória não me falha, aprazível. O último que vi, The Darjeeling Limited, cimentou-o na minha mente como cineasta de culto.
São todos filmes de enredo aparentemente simples (ou quanto muito com uma premissa central bem definida), mas pedem uma abertura ao pormenor que a maioria não está predisposta a oferecer. Their loss.


Por falar em filmes, vou voltar para o sofá, de onde me levantei para escrever isto, e onde me encontrava a ler o Efeitos Secundários do Woody Allen - editado em 1980, ou seja, tudo contos escritos antes de eu nascer. Sinto-me esmagado pela genialidade que nos precede, inclusive nas técnicas milenares dos mestres sopistas.

Tourada

Tenho bastantes amigos aficionados. No entanto, nunca nutri especial interesse pela tourada. Gosto, sim, de ver a pega. Se tal se deve à minha natureza mórbida ou apenas a um extremo apreço pela coragem alheia, não sei. No entanto, se um dia me perguntassem se queria entrar na arena para pegar, responderia: quase tanto quanto pedir ao touro que se mantenha quieto um breve instante enquanto lhe prego uma sôfrega lambidela do escroto à cauda.

Dito isto, vou lanchar.

Tuesday, June 24, 2008

Notícia Quente!

Acabei de ler no JN que, e passo a citar:

"blá blá blá ...o estudo, coordenado por Anália Torres, notou também ...blá blá blá"

E eis que a minha mente desenhou automaticamente o retrato-robot de Anália, nome que até hoje cometi o pecado capital de desconhecer:



Concerto: Rodrigo Leão


Rodrigo Leão 05.06.08 @ Claustro Jerónimos

parecer: Staline's 1 thumb up!


Local fresco, mas único. Bom som, bom set list, bom concerto.

Num concerto dos Tokyo Hotel...

Wednesday, June 18, 2008

Gabriel Alves

Após uma semana na Suiça a ver o Europeu de futebol, nada melhor do que o jantar anual com o senhor futebol, Gabriel Alves. Foi hoje, foi agradável e, como sempre, foi escaldante. Espera-se a presença de Paulo Futre num próximo evento.

Saturday, May 31, 2008

Ah, esse odor anódino deste cognac



Oiço muita gente a dizer, num anseio sonhador, que "davam um testículo" por x ou por y. Gostava, bastante, que se deparassem com esse hipotético cenário, de faca afiada na mão.

Dia 10 de Julho, se ainda não estiver a trabalhar em África ou num talho, vou estar em Oeiras.
Do cartaz, vejo-me cometido numa erecção emocional com os seguintes nomes:
CSS
THE NATIONAL
MGMT
HERCULES AND LOVE AFFAIR

E aqui tão perto de casa, posso ir a pé, se até lá não os tiver perdido ou vendido por uma bela maquia.

Ah, dentro de uma semana estarei na Suiça a torcer. Deixem recados com a minha secretária, em braille.

Deixo-vos com uma música filha-da-puta de boa.

Monday, May 26, 2008

O que vês?





-o que vês?

-a morte, que, cercando tudo o que nos é conhecido, não nos dá chance de não cedermos ao seu pedido. diz-me: dá-me a mão. procuro em volta. nada. a sua mão nada tem de assustador. não é uma ossada, não é velha, é a mais bela mão em que alguma vez pousaste o olhar. ao lhe tocares, toda a ansiedade se esvai e sabes que chegou a tua hora. paras de lutar, paras de pensar. aceitas, porque te sentes em paz, uma paz que nunca sentiste em vida. sabes que chegaste a casa, sabes que toda a tua vida foi um caminho que te conduziu a este momento. então olhas a morte nos olhos: ela sorri-te, e tu sorris de volta. estás morto.

-e tu, que vês?

-um pénis.

Sunday, May 25, 2008

Lavagante

"O lavagante é principalmente um animal de tenebrosa memória, paciente e obstinado, e terrível nos seus desígnios. (...) serve o safio que está nas tocas submersas levando-lhe comida a todas as horas, e como a sua existência anda presa a essa serpente estúpida de grandes sonos, vendo-a engordar, engordar, até saber que a tem bloqueada, incapaz de sair do buraco porque o corpo cresceu de mais enovelou-se, e não cabe na abertura por onde podia libertar-se. Nesse momento, fica sabendo, o lavagante servil aparece à boca da toca do safio mas já não traz comida. Vem de garras afiadas devorar o grande prisioneiro que alimentou durante tanto tempo."


José Cardoso Pires, Lavagante

Saturday, May 24, 2008

Sushi


(que sushi pobre se faz em Portugal...)


Viveria em Nova Iorque só pelo sushi.


(e quem não come sushi como deve ser comido, com aquele wasabi que ocasionalmente nos comove, não pode atravessar o oceano comigo. A referência à big apple prende-se com o facto de ainda não ter jantado no japão.)


ps: weekend wars dos MGMT, que música soberba.

Sunday, May 11, 2008

O caminho de casa

Veja-se a força persuasiva do ar após a trovoada! Os meus méritos impõem-se-me e obcecam-me se eu não resistir.
Caminho a passo de marcha e o meu ritmo é o ritmo deste lado da viela, desta viela, deste bairro.
Sou, com razão, responsável por todas as pancadas contra as portas, sobre os tampos das mesas, por todos os brindes proferidos, por todos os casais de amantes nas suas camas, nos andaimes de prédios em construção, em vielas escuras contra os muros das casas, sobre as otomanas nos bordéis.
Avalio o meu passado em função do meu futuro, acho, no entanto, ambos excelentes, não consigo dar preferência a nenhum deles e apenas a injustiça da Providência que tanto me favorece devo censurar.
Só quando entro no meu quarto, fico um pouco pensativo, porém sem que enquanto subia as escadas tenha encontrado algo digno de reflexão.
O que não em ajuda muito é abrir completamente a janela e ouvir que num jardim ainda se toca música.

Franz Kafka

Thursday, May 1, 2008

Aquele abraço



Aquele... qual?

Para além do título duma canção de Gilberto Gil, "aquele abraço" revelou-se-me hoje como imagem de marca de António Sala, "o grande comunicador".

O que significa isto? que T.S. (António Sala tem como diminutivo Tó Sala, que tem como iniciais T.S., designação adoptada daqui em diante) é o pai duma das despedidas mais "pseudo-fixes" em língua portuguesa, juntamente com "hasta" e "ficah" (com H para, claro está, arrastar o A) - pseudo dada a dispersão de opiniões e o facto de hasta não ser português.

Pesquisando T.S. na internet, cedo nos é revelada a inveja forasteira por este nosso grande nome do audiovisual. Países como o Chile, parco em talentos, não hesitam em pintar gritos de terror protestante nas suas estátuas milenares, os moais.

do Chile esperava-se um protesto com um pouco mais de chá.

A minha resposta natural é um ardente "buuuuu", seguramente secundado por todos vós.
Deixar isto passar incólume é um não-acto apenas comparável na minha mente ao sim-acto de um furtivo anavalhar de T.S. pelas costas!

T.S. pode estar desaparecido dos ecrãs, mas mantém a sua mão acariciadora presente, afagando o público incessantemente, como um deus omnipresente. E no dia em que parar, no dia em que esses chilenos levarem a melhor, caros amigos, no dia em que este nosso ladino e carismático amigo se silenciar, este país secará até à aridez da cavidade bocal de uma velhota fumadora de 95 anos -algo mais banal? Isto é uma promessa que vos faço: T.S. e banalidade são inversamente proporcionais.

Chamar T.S. de cocó líquido não só é revoltante, como dúbio: cocó líquido tem nome, diarreia. E diarreia, por muito asquerosa que seja a mera menção do seu nome, por mais visões em tons de pastel que tenhamos à segunda sílaba, tem direito, como tudo o resto, a existir. E quem batalha contra a diarreia é nada mais do que um assassino comparável a quem usa o seu alvo como ofensa a T.S.! Sim, falo de ti, imodium.
Quem vive no mundo da publicidade e quem não vive no mundo da publicidade já deve ter ficado pensativo após o anúncio que passou na televisão. Uma das regras antigas, muito antigas da publicidade, é dizer suficientes vezes o nome do produto, para que se fixe na mente do consumidor. Assim, quando o pacóvio estiver no supermercado e se vir diante de 30 produtos semelhantes, algo clicará na sua mente, alguma familiaridade fabricada por uma teoria publicitária.
Ora repetir o nome do produto, se bem que retrógrado, não é reprovável nem idiótico. Repetir num anúncio de 30 segundos a palavra "diarreia" por 8 ou 10 vezes, é.
Algo do género:
"Quando estás na fila do teatro e te dá a diarreia e a tua amiga está quase a chegar e a diarreia provavelmente chegará antes dela e ainda se encontram as duas no hall da sala, a amiga e a diarreia, e a diarreia diz-lhe, secamente: estás com má cara; e a amiga desfaz-se em lágrimas. Como não vais querer isto, acaba já com a diarreia, toma imodium rápido, que acaba com a diarreia e com os efeitos nocivos da diarreia em ti e nos teus num ápice."

E com isto parece-me que provei aquilo que me propús no início deste post: António Sala, és rei e senhor e a televisão portuguesa não te merece. Nem à tua mulher, sempre aprimoradamente engalanada. Nem ao teu filho, que imita o Pato Donald como poucos. Saúdo-te.

Wednesday, April 30, 2008

Dung

Dung beetle pushing a ball of dung, Masai Mara National Reserve, Kenya, East Africa, Africa

Tuesday, April 29, 2008

HAIKU

...é um estilo secular de poesia japonesa. Caracteriza-se pelo uso de 1 estrofe com 3 versos de 5, 7 e novamente 5 "on"'s, respectivamente, sendo que o "on" é um método japonês de contabilidade, semelhante às nossas sílabas. Haiku tem 3 "on"'s em Ha-i-ku.

Ora li mais de 20 haikus em busca de sentido para os "on", mas apenas consegui perceber que o verso do meio é mais longo e que a maioria dos poetas amadores que se lançaram aos haikus têm o seu próprio método de contabilidade "on"ico.

Mas uma coisa é certa, é a arte de dizer muito com pouco. Ou a arte de ser misteriosamente ignorante, que bate todos os dias da semana a arte de ser meramente ignorante.

Um exemplo em britânico:

are you sitting stuck
frozen to the vinyl bench
that you love so much

Contando "on"'s:


are' you' si'tting' stuck' (5)
fro'zen' to' the' vi'nyl' bench' (7)
that' you' love' so' much' (5)


Quem disto souber e a minha ignorância se dispuser a saciar, sou todo ouvidos.

Lançando-me eu próprio ao Haiku, e adaptando um extracto duma obra previamente escrita pela minha apedeuta pessoa, temos que:

Fumega agora alcatrão
Onde outrora pássaros cantavam
Escarrados pelos céus

Contando "on"'s:

Fu'mega' agora' al'catrão (5)
Onde' ou'trora' pá'ssaros' can'tavam (7)
Escar'rados' pelos' cé'us (5)


E eis a chance para todos aqueles (três) que dizem sempre "ah nunca sei o que comentar" de se chegarem à frente e escreverem o seu próprio Haiku na parte dos comentários, para posterior possível postagem na frente do blog.

Se a minha brasa de Haiku não for inspiração suficiente: http://womenaslovers.com/haiku.php


Gógol



oi magda, sou eu novamente, e desta vez não usei maiúscula.

tenho andado desaparecido? pode-se dizer que sim, que estava mais presente quando estava longe.

Esta semana tive umas discussões derivadas do meu nick no messenger.
Era ele: à falta de melhor, "THE VERY GOOD OF LAVAGANTE", já à venda.

Várias pessoas, falando potencialmente em uníssono: tens um erro no nick!
Eu, boquiaberto mas complacente: onde?
Várias pessoas, com um ar desnecessáriamente convencido: há falta de melhor...
Eu, não querendo pôr a mão no fogo por uma questão aparentemente legítima: tens a certeza, zé do telhado?
Várias pessoas, inflexíveis às aprendizagens datadas de há quinze anos: claro, existe falta de melhor!

Não, não me convenciam. Entendia o argumento, pois claro, mas não podia crer que se aplicasse neste caso, não soava bem. E desde gaiato que confio mais no meu ouvido do que nestas pessoas tementes a Deus. Fui perguntar a um dos inúmeros sites de português na cybernet, famosos pela sua esterilidade teológica, e eis que:

"À falta de melhor, envio-te este..." ou "Há falta de melhor, envio-te este..." A forma correcta é a primeira, uma vez que a expressão "à falta de" utiliza-se para referir a ausência de alguma coisa superior ou mais adequada àquilo que pretendemos.


E com toda esta merda fugiu para segundo plano o meu nick espirituoso (ou aspirante a), alusivo ao novo cd "best of" João Portugal. Uma pessoa que nunca chega a ter coisas muito boas, dignas de serem consideradas "best", deveria lançar um relativamente mais humilde "very good of...".


Bem, adiante. Em breve abandonarei a pátria. Em Junho, depois de voltar da Suiça, onde Portugal jogará o Euro e usufruirá dos meus tímidos gritos de incentivo. E um dos potenciais destinos é a pátria soviética dos autores que venho a devorar ultimamente. Dostoievski já a maioria leu. Tolstoi, muitos resistentes (nos quais ainda, repito ainda, não me incluo) também já tiveram o prazer. E Gógol? o ucraniano, considerado o pai da literatura russa moderna, juntou-se ultimamente a Borges no topo das minhas preferências literárias.


em termos estéticos, Gógol era bem mais "papável" do que Dostoiévski.


E se as minhas recomendações literárias não partem do mesmo pináculo de onde lanço as musicais, não deixam de ser bem intencionadas. Ora a Biblioteca de autores independentes (cujos livros se encontram em qualquer feira) juntou uma série de contos deste autor e lançou os Contos de São Petersburgo. Inclui alguns dos seus textos mais conhecidos e, se não dobrarem a última página apaixonados por Gógol, foram só 10 euros...

Magda, um forte xi-coração.

Thursday, April 17, 2008

Lolly-Pop

Há cerca de um ano recebi um telefonema. Até aí nada estranho, não fosse o facto de ter atendido. Era a minha querida amiga Maria Coutinho a pedir para escutar o meu álbum, uma relíquia tão antiga que mais parece pertencente a uma vida passada.
Resulta que se havia cativado pelo trautear vadio do seu boss da altura, o meu caro amigo Duarte Castro, outrora meu guitarrista em obras como o Fado do Tupperware e, aparentemente, fã incondicional da melodia de Bino, o Albino.

Ora procurei, procurei e cheguei a desistir. Hoje, Lolly-Pop encontrou-me. São 19+1 faixas totalmente improvisadas e gravadas ao microfone de um computador que não autorizava cantigas com duração superior a 1 minuto. Acompanhado por mim próprio à guitarra - instrumento para o qual não tenho qualquer instrução nem legitimidade para tocar - são 13 minutos artisticamente dúbios mas que não deixam de me ser nostálgicos.


lê-se: "o público pediu e cá está Lolly-Pop com o seu mais recente trabalho que é de uma clarividência assombrante"

Wednesday, April 16, 2008

5-3



Hoje vou ter sonhos em tons de Yannick. Quem remata tão atabalhoadamente com a profunda convicção de que "esta sim, vai entrar", merece ser figura de cartaz em qualquer sonho meu. Vamos esperar que a coisa não descambe para o erotismo. Não só por mim, mas também por Djaló.


Calhou à sina sportinguista serem raras as noites épicas em Alvalade - existem bastantes, mas muito espaçadas temporalmente e, principalmente, intercaladas por enormes banhos de água fria, o que inevitavelmente atenua as emoções (positivas).


Ora a noite de hoje terá rival num longínquo 7-1, numa época em que os jogos ainda se disputavam em 90 minutos! Recuando mais ainda e usurpando a memória ao senhor meu pai, este 5-3 e a forma como foi construído trará a lembrança duma épica remontada contra a Coreia, por parte duma selecção encabeçada pelo maior símbolo do nosso rival da noite de hoje, Eusébio.

Mas voltemos atrás, mais propriamente às 7 horas da tarde de hoje. Eu estava em casa. A minha boleia estava a sair do Estoril Open:
- Olha vai ter debaixo de casa do Menezes - disse-me Sonso, a dita boleia.
- Tás doido, já viste o que chove? - retorqui de sobrolho franzido.
- Vai pela sombra c$$$$$$! - boa ideia para quem está num estado impróprio à condução.
- Vou descer agora e fico à porta de minha casa.

Chegado à porta, estava um smart à minha espera e dois indivíduos a segurar nos respectivos genitais que se assomavam pela braguila - numa rua onde passam diariamente centenas de pessoas.

- Parem já de mijar, metam essas merdas pra dentro! - foi a exigência normal de quem é visto todos os dias nesta rua.
- É na boa, está a chover e varre esta merda toda - disse Gordo, o elemento a quem a lógica ainda não fugia totalmente nesta altura.

Quando vi o Sonso a abrir a porta traseira do Smart, percebi que não havia 2º carro e que iríamos os 3 nesta lata até Alvalade.
- Fecha aí esta merda - berrou-me.
E, a custo, lá coube. Hermeticamente não seria aqui uma hipérbole.

Com um olhar convenci Gordo a deixar-me ir a guiar e lá partimos. À noite, à chuva e com bêbedos - três factores que odeio ao guiar, juntos.
A viagem foi caótica: Sonso aos berros a martelar com o punho pelas superfícies do seu carro. Gordo a rir e a contar-me a tarde e a receita para se atingir o estado degradante do nosso companheiro na traseira. Eu sisudo com a perspectiva de aturar este último durante os próximos 90 minutos.

Adiante. Após nova entrada sofrível em Alvalade, lá encontrámos os nossos lugares. Estavam decorridos 3 minutos de jogo. Superior Sul, Bancada de cima, imediatamente atrás da baliza que naquele momento era defendida por Rui Patrício. Sonso aos berros como se estivesse no meio das claques era quem animava - e desconcertava - a bancada toda.

0-1, desagradável. 0-2, choque.

E eis que Sonso se ergue do lugar e começa a abrir caminho entre os espectadores da sua fila. "Amuou e vai-se embora" - pensei - "mas deixa aqui o casaco?". E começa o burburinho: Sonso descortinou um lampião que ousou celebrar o golo do seu clube no meio da família leonina. Um homem com um ar simples, de blusão rubro a cobrir uma barriga condizente com os seus 50 e poucos anos. A seu lado, o filho de 12 anos, com blusão de cor idêntica e uns olhos arregalados perante o que agora se sucedia: Sonso berrava com o homem, encharcando-o de perdigotos para de imediato os secar com o seu pujante bafo a álcool. O benfiquista tentava apaziguar os ânimos, gesticulando com as mãos que eram imediatamente rechaçadas por violentas estaladas.
Um sportinguista, do lado do benfiquista - pela situação aparentava ser genro deste último - tentava de maneira erradamente arrogante pôr água na fervura, adicionando-se com isso à lista de alvos a abater.
Tudo isto se passava comigo quatro cadeiras atrás, como quem aprecia uma boa novela, até que o bom senso me chamou a intervir. A custo - em termos caricaturados ele tem o dobro do meu tamanho-, trouxe Sonso de volta ao lugar, onde fiquei a escutar durante os próximos longos minutos todo um discurso - com o qual evidentemente concordava - sobre o quão deslocado estava aquele indivíduo e como na Luz tal jamais passaria sem punição. Mas Alvalade não é a Luz. Feliz e infelizmente.

Intervalo. 0-2 e uma total descrença que a equipa liderada por Paulo "IQ 10" Bento possa eventualmente combater a superioridade adversária.
Sonso quer ir ao wc e imagine-se quem está no caminho para a mesma: a família de há pouco. Novos inevitáveis distúrbios que culminam com o genro a soltar um tímido - tu não me voltes a empurrar. Sonso empurrou.
Enquanto estava na casa de banho, fiquei a olhar para o relvado e para as pessoas. Um tipo com uma irritante voz de melro tentava convencer outro a mudar de lugar para que se pudesse sentar junto do amigo. "Essa voz não merece favores", pensei. - Até mudava, porque aliás nem gosto muito deste lugar, mas essa tua voz patética de rouxinol fêmea irritou-me, por isso não vou poder facilitar - era o que me apetecia ter respondido.
"Este gajo está a mijar um dilúvio?" - e entrei para as zonas de bares à procura de Sonso que, naturalmente, já tinha ameaçado novo benfiquista. A caminho do lugar, novo benfiquista é acossado. E o resto é história.

Romagnoli sai de campo.
Moutinho faz o melhor jogo que alguma vez o vi fazer.
Vukcevic desiquilibra, Izmailov rasga, Derlei ressuscita, Liedson aparece, Sporting joga. E como joga. Um derby rico em emoções contrastantes que dá razão de ser ao nosso amor por um desporto que muitas vezes não o merece.

E dentro de um mês lá estaremos, no Jamor, onde quer ganhemos quer percamos, uma coisa é certa: sofreremos!

Monday, April 14, 2008

25kg de Cocaína...



...é muita cocaína para se ser apanhado com, independentemente da linha argumentativa pela qual nos orientemos.


Isto porquê? Hoje passou no rodapé do telejornal uma frase que dizia o seguinte (ou algo parecido com): sufistas da costa da caparica apanhados com 25kg de cocaína.

Ora bem, se para muito boa gente o escândalo prende-se com o facto de haver cocaína em plena Caparica - terra sempre conotada com coisas e gentes de bem -, eu ressalto o facto de os sofistas estarem desaparecidos desde cerca de 300 A.C. (sofistas, sufistas, lê-se do mesmo modo, são um e o mesmo grupo)

É para mim catatónico - sim, catatónico - que sejam agora encontrados, 2308 anos depois, um número indefinido de antigos mestres gregos na arte da retórica: Quem se escondeu durante mais de 2000 anos é, sem sombra de dúvida, um perito da dissimulação e do disfarce; como se explica um descuido destes, culminado com a captura em plena caparica, e ainda por cima na posse flagrante de cocaína?

1-1 para a PJ, golos de Maddie aos 17' e dos Sofistas em cima do intervalo.

Ponto positivo para os gregos: como antepassados dos actuais advogados, possuem certamente um sem-número de truques e manhas debaixo das túnicas - não hesitarão em usá-las perante o meritíssimo.

Tuesday, April 8, 2008

Carta às Logas Sinjer

PREZADAS LOJAS SINGER,

Venho por este meio indagar sobre o vosso estado de saúde. Sou do tempo em que tudo era patrocinado pela vossa marca, e isso dava-me conforto: Sabia exactamente onde poderia comprar aquele micro-ondas. A minha vida acompanhou-vos para baixo da captação de radar. Estou triste, por mim/vós e porque a minha relação com a Célia já passou por melhores dias. Felizmente, a Monica Sintra mostrou-se esta semana totalmente recuperada da bulimia e da anorexia. Nem tudo é negativo na minha vida, valha-nos Deus nosso senhor.

Venho também por este meio, o mesmo referido no parágrafo acima, pedir-vos um orçamento para o meu leitor de cassetes escangalhado, onde passo a música da minha predilecção, enquanto pratico o meu 2º amor (depois da Célia - se estás a ler isto, amo-te tanto pah), a Calistenia. Sim, este corpo não provém apenas da dança rítmica às quartas feiras ao final da tarde. No outro dia, na aula, inventei uma graça impecável quando me perguntaram quais os meus ritmos músicais favoritos: "aprecio bastante Electro-pop, Electro-jazz e Electro-encefalograma", e irrompi num vendaval de gargalhadas que me obrigou a ir mais cedo para casa, tantas eram as dores abdominais. Imagina que ainda no 51 me vinha a rir! Tenho um sentido de humor cativante, já mo tenho dito.

A minha última questão prende-se com a incoerência entre a versão escrita e oral do vosso nome. Escreve-se Singer mas lê-se Sinjer. Novamente recorrendo ao meu humor apurado, imagino o vosso inventor, um qualquer bem-falante de Belas, apologista de que não é necessário perceber a língua inglesa para a achar esteticamente belíssima.
"Já sei, vou-lhe chamar Sinjer! S-I-N-G-E-R."
"Caro amigo, ressalvo o facto de que isso se lê Singer"
"Tolice, a loja é minha, vou chamá-la Sinjer! S-I-N-G-E-R!"
"Mas, caro amigo..."
"Olha para ali: estás a ver as prestações do teu fogão a subir? Eu estou."
"Anunciarei ao mundo as condições imbatíveis de financiamento da loja Sinjer"
"Aprecio. Aqui tens o fogão. Tem 2 bicos para cozinhares duas coisas ao mesmo tempo!"

Sem mais, despeço-me com os mais cordiais cumprimentos e esperando que a vossa rede de lojas retome a posição de top que jamais mereceram largar.

Boas!
Charles Ventura.

Eu, Claudio

Claudio Ramos, uma das pessoas mais odiadas à priori em Portugal, tem um blog. Já o deve ter há muito tempo, mas antes tarde do que muito, muito tarde. Excerto:

"Gosto do cheiro a baunilha que a vela que comprei no Ikea deita quando fica acesa muito tempo. Gosto de ter molduras espalhadas pela casa porque me lembram lugares. Em cima desta prateleira está uma moldura preta que uma amiga me ofereceu. A moldura continua preta, mas a amiga já não o é."

http://www.euclaudio.blogspot.com/

divirtam-se, não demorará muito.

Tuesday, April 1, 2008

6:09 a.m.



Se há algo que aprendi nestes meus primeiros 27 anos de vida, é que existem 2 coisas que não podem ser forçadas: o sono e o amor pela equitação.

As insónias afligem-me em forma de dúvida sobre o paradeiro actual de Cristina Caras Lindas.

São 6 da manhã e não consigo dormir. Em Nova Iorque não são 6 da manhã. Mas como já não estou em Nova Iorque, a frase precedente torna-se irrelevante para o post. Porque fica? Para dar razão de ser às que lhe seguem.

Era mais feliz quando era tísico. Estás mais gordo - dizem-me. Sim, engordei 2 quilos, para os 72. Juntando isso ao meu metro e quarenta de altura e ao meu pullover aos losangos, faz de mim o cubo de rubik humano.

Agora um exorcismo à fúria cega que medrou em mim (pelo vôo de 6 horas sentado na fila central do avião). Mal a TV Tap começa, saltam para o ecrã o encantador casal Patrícia Candoso / João Catarré. "Esta semana vamos a Sintra" - dizem, e eis que aparecem em plena praça do Giraldo. Estranho? Vamos deixar os adjectivos para mais tarde. Ora estes dois são casados (se ainda não o são, na minha mente a cerimónia já foi realizada) e, como tal, presume-se que pratiquem semana e maquinalmente o sexo. Ora bem, estavam ambos sorridentes a deambular por e a divagar sobre essa bela capital de distrito, banhados por sol abrasador, a largar trivialidades culturais, enquando na minha mente o filme era bem distinto: apenas os via a praticar o doce amor. Pior: Patrícia estava a apanhar com vento na tromba, vindo de trás, o que incutia na minha mente pensamentos em tons de canzana. "Estarei demente?" - indaguei aos céus, olhando para o lado (benefício de falar com Deus a 36,000 pés de altitude); "Estava a pensar exactamente no mesmo" - confortou-me o Criador. Menos mal.
Assim sendo largo aqui um axioma:

Co-apresentadores mistos não podem estar romanticamente ligados. Têm necessariamente que derivar do "Adão e Eva" da apresentação nacional: Eládio Clímaco e Ana do Carmo.


"earth calling chemistry... earth calling chemistry... boss, there's no answer!"


E termino o post com a alusão à ramela que a minha roommate em NY tinha durante o meu último jantar nessa cidade. A imagem perdura, latejante, na minha mente passados 4 dias sobre a noite do incidente. Porque o nojo duma ramela não pode ser encarado de ânimo leve - "Ah, é só uma ramela" = Rei de todos os paradoxos.


You're Fired!

Laurent Robert, outrora extremo esquerdo do Benfica, voltou a ser despedido, desta vez do Derby County.

Depois de dispensado do Newcastle, andou a fingir que jogava no Portsmouth, Benfica, Levante e Derby.

Na memória fica o remate disferido na Luz que culminou com um maciço frango de Baía, infestando-me com um júbilo que perdura até hoje - e apenas rivalizável com a teima de Scolari em não o convocar para a selecção.



Fica no ar a questão: qual será o próximo clube que Laurent Robert enganará?

outra questão, sobre a questão transacta: WHO THE FUCK CARES?

Monday, March 31, 2008

Back Home

Para júbilo de quatro e terror das massas, voltei hoje de madrugada a Portugal. Pronto, para alegria de quatro e indiferença massiva.

Em NY, entretanto, e para contrastar, foi erguida esta estátua de zinco em minha homenagem. Agradeço.

Wednesday, March 19, 2008

Memoirs

Spud Webb, com 1,70m, ganha o concurso de afundanços. Eu, em dia sim, toco ligeiramente na rede. Deve ser dos ténis.


"Lorenzo Lamas is the renegade; Justice is his only reward".



E então? É isto? O post é isto? Pelo amor de Zeus, nem te esforçaste...


Pronto, remato com o melhor concurso alguma vez feito. Tinha que vir da Ásia: Nunca digas Banzai! (não encontrei a versão deliciosamente dobrada em português)

Made in Alvalade

Temo que a derrota na final da taça UEFA em Alvalade frente ao Cska tenha sido o auge futebolístico de toda uma vida como associado do Sporting. Probabilisticamente, pode muito bem vir a sê-lo.

Se há um sonho que todos os adeptos têm é de vir a jogar a nº10 pelas cores por que agora torcem. Depois deste, há o sonho de ver a sua equipa ganhar a Champions. Se a ganhar com uma equipa maioritariamente portuguesa, melhor. Se, para alem de portugueses, a maioria dos jogadores forem prata da casa, perfeito.

Sonho esse que foi pela última vez alcançado em 1995 pelo Ajax de Amesterdão. Comandados por Louis Van Gaal, a equipa era formada por um sem-número de jogadores formados na escola do clube: van der sar, reiziger, rijkaard, frank e ronald de boer, seedorf, davids, kluivert... Venceram na final o todo-poderoso Milan, o que tornou o seu feito tão mais especial.

Se, na década de 90, a escola de futebolistas do Ajax era indubitavelmente a mais famosa do mundo (se não mesmo a melhor), actualmente é-me custoso encontrar uma escola com maior produtividade que a de Alcochete.

E, tomando como exemplo a mais recente convocatória de Scolari, temos que todos os médios excepto um são produtos leoninos:
Médios: Carlos Martins (Recreativo), João Moutinho (Sporting), Miguel Veloso (Sporting), Raul Meireles (FC Porto), Cristiano Ronaldo (Manchester United), Nani (Manchester United), Ricardo Quaresma (FC Porto) e Simão (At. Madrid).

A matéria prima teima em aparecer. Resta-nos então sonhar, a nós adeptos do Sporting, que um dia tenhamos o dinheiro para os segurar durante duas épocas seguidas e, quiçá, concretizar esse sonho aparentemente inalcançável.

Tuesday, March 18, 2008

Nougat 3, 100

Fotos (aleatórias) de NY:



Monday, March 17, 2008

usd$15

Foi quanto custou o meu novo par de óculos:


Conhecendo-me aceitavelmente como conheço, deduzo que me desafiarei a lá voltar e adquirir o par de óculos de hastes brancas que se viu por enquanto preterido. I'll wait for you - pareceu-me ouvir ao sair da loja.

I Love You Jesus Christ, Yes I Do.



Testemunho real:

"desde o acidente, mastigo esmagando a carne com a mão contra os dentes."

[Cristóvão, 42 anos, vítima de um acidente]

Tuesday, March 11, 2008

o Drama do Ciclope



Faz hoje uma semana que, ao caminhar por uma ruela do Lower East Side, me cruzei com um ciclope. Não tinha máquina fotográfica na altura - quantas curiosidades já entraram e saíram da minha mente por falta de máquina no telemóvel... - pelo que o fotografei mentalmente e, chegado a casa, desenhei-o de imediato. Fiquei orgulhoso com reprodução tão fidedigna:

Até aqui, nada de errado. Trata-se de um ciclope como tantos outros: um gigante com bom sentido de moda, um único olho central - castanho claro - e subalterno de Hefaísto.

No entanto, uma observação mais atenta crava na mente um pormenor chave que não escapou ao esboço impressionantemente real que aqui apresento.

Dono de um só olho, o Ciclope tem, não obstante, duas sobrancelhas. Ora sendo a sobrancelha um aglomerado de pelos situado acima da celha (daí o nome) com o intuito de proteger o olho, podemos ver que para um ciclope o par de sobrancelhas não tem qualquer utilidade prática pois o olho, central, está desprotegido e ao alcance dos seus inimigos naturais.

Sunday, March 9, 2008

The Blue Oyster º




Apesar do mundo continuar maioritariamente trajado com o seu vestidinho heterossexual, é difícil não reparar num progressivo encurtar de mangas. Não só todo o modo de vida gay está a escapar do armário, como cedo erguerá os braços em pleno mainstream.

"Essa gentalha, paneleiros nojentos" - dirão ainda hoje muitas pessoas. Demasiadas. Ainda mais diriam "Isso não se escreve num blog, que vem a ser isto, poluir-me os olhos assim tão gratuitamente..."

Um aparte: Há um par de anos passeava pela Chueca de Almodóvar (um daqueles a quem é devido um eterno agradecimento pelo movimento gay supracitado), onde fui beber uns copos com uns amigos que de lá saíram enojados por demonstrações públicas de afecto. Tudo bem. Independentemente do sexo dos intervenientes, sou contra linguados na via pública. Salazarista pró-casamento gay?

Não és mais nem menos do que todo o mundo actual, lavagante. És somente uma opinião. Pior: a tua opinião é totalmente descurada de sentido lógico e prático! Estás-me a fazer perder tempo para pentear o bigode. Com licença.


Estou actualmente a meio de uma mini-série da HBO chamada "Angels in America" sobre um tema (infelizmente) siamês ao deste post: a sida. Mais propriamente a sida entre a comunidade gay novaiorquina na década de 80. Al Pacino é um advogado famoso com a doença em fase terminal que, para salvar aparências, pede para chamarem de "cancro do cólon". Como quem cai duma cadeira abaixo. Quando acabar de a ver decidirei se a recomendo. Quem sabiamente não se guia por mim, devia alugar os dvds.

Isto tudo porquê? Apenas uma constatação mais do que óbvia. Há uns anos ouvia-se dizer "desde que o meu filho não seja maricas, fico feliz". Pai conservador segue a sua palavra e larga lágrimas de felicidade quando enterra o filho toxicodependente. "Pelo menos era virgem no rego" diz, rato, ao seu amigo Edgar, cujo rebento é bailarino.

"nanananananananananananana (tapando os ouvidos e fazendo um som aleatório) ......não estou a ler isto... alusões anais? ...Deus me valha"

Mas o mundo continua a rodar e graças a Almodóvares & cia. cedo tal não será tema de preocupação. Ao impedir o casamento gay estamos a adiar o inevitável. Não falo do casamento pela igreja, que se rege desde sempre por ensinamentos seculares que são a base da sua desertificação e não se coadunam com este tipo de "vanguardismo". "Mas que raio estás para aqui a dizer? de onde aparece isto tudo? o teu raciocínio não tem fio lógico. Agora vais passar para a separação do Estado e da Igreja como prova inequívoca da dita desertificação?"

Adiante. Hoje a voltar para casa, numa rua como qualquer outra - com passeios dos dois lados e estrada no meio - cruzei-me com 2 homens. "Casaco manhoso" - pensei sobre um enquanto o meu olhar se perdia pelo lado oposto, numa c+s encarnada.
"he's cute" - ouvi um a sussurrar e não liguei, pois não se enquadrava na minha lógica de pensamento e não achei que fosse sobre a minha pessoa.
"hey puppy, you're cute" - disse o outro, claramente o gay mais espampanante do casal.

Pronto, cá está o real propulsor para a escrita deste texto. Contentes? Estava com falta de piropos e apareceu, não da forma desejada, mas sempre apareceu.

De qualquer modo, agrada-me o facto de saber que se por acaso o meu filho nascer gay (e agrido violentamente com um tijolo na cabeça quem me vier com a teoria de que é uma doença ou uma mera opção), irá nascer para um mundo rosa-choque (shock?), nem que o tenha que exportar para Nova Iorque, onde confraternizará com Antony e Wainwright.

E pronto, assim termino o meu post mais Lynch até ao momento (agradável como se tornou aceitável utilizar pessoas como adjectivos), na esperança de que ao voltar a Lisboa dentro de um mês encontre a minha Maggie Gyllenhaal. Au revoir.


ps: blue oyster, título do post, é uma alusão ao bar gay no filme "academia de polícia".

Saturday, March 8, 2008

Uma da manhã...



...e acabei, faz 10 minutos, de ver o filme "the belly of an architect", de 1987. A banda sonora é de Wim Mertens, cuja música também acelera um dos meus anteriores posts. Extraordinário. Para quem não o conhece, digamos que é um Rodrigo Leão belga. Estudou em Leuven (destino de luxo para erasmus nesse país, e em Gent - aquela que foi a minha primeira 2ª cidade).

Ao filme dou 4 estrelas em cinco. Homenagem não só à saudosa banda 4 Non Blondes, como também aos Abba e aos 3 mosqueteiros + d'Artagnan, esse penetra.

Esta semana que agora passou e a que inevitavelmente se aproxima marcam a minha última quinzena de estágio em Nova Iorque. Seguir-se-á nova quinzena, mas de lazer, que marcará a minha despedida desta cidade que tão bem me acolheu e cuja carteira pouco subtilmente me chupou. Deduzo que seja como as putas, essas operárias que enquanto temos dinheiro nos tratam como reis. Grande puta, esta maçã.

NY mascarada de dançarina de flamenco

Têm sido dias passados frente ao monitor, mergulhado em photoshop, de manhã à noite com pausa de meia hora para almoço. O meu mais recente vício, sushi. A usd$5,50 no restaurante no lobby do prédio onde trabalho, e com qualidade mais do que aceitável, é difícil resistir. Mas tento: almoçar 4 vezes sushi numa semana de 5 dias parecia-me pouco razoável, mas ia-me mentindo enquanto podia. "Se faz bem (ou menos mal) e gosto, porque não"? Até que duas situações me fizeram cair em mim. Alguém no escritório teve a audácia de me perguntar se como sempre sushi. Franzindo a minha sobrancelha interior, respondi que sim. Semanas depois resolvi almoçar algo diferente, um prato de carne. Caminhando em direcção à caixa, a sul-americana que lá trabalha sorria-se para mim. "se fosses gira, sorria de volta" - pensei, fútil como sempre. "No sushi today?" pergunta-me. "Ah... filha duma grande maçã!" disse no meu melhor sotaque soviético, e desde esse dia passei a pagar do outro lado da loja.
Agora, janto sushi. Telefono, peço delivery, e pago usd$15.

Monday, March 3, 2008

aleatoriedades



"Oi pessoal" - digo eu, algo envergonhado após tanto tempo passado sem um mero post escrito.
"Oi?" - respondes-me tu, Nunes.
"Desnecessariamente abrasileirado?" - indaguei, encolhido.
"Indubitavelmente" - disseste, Nunes. Lembro-me vividamente do teu ar superior que me recordava um daqueles grandes dançarinos que eleva a dança de salão a candidato a desporto olímpico. - "Começa lá o post e deixa-me ouvir Lightspeed Champion em paz enquanto o leio".
"De acordo" - respondi, acenando afirmativamente com a cabeça. De resto, Nunes, sempre foste para mim um farol de razão.


Então comecemos, como sempre, em ordem contra-cronológica:

Ontem fui até Newark, de encontro à grande comunidade emigrante portuguesa e à transmissão televisiva do derby. Uma piela a meio da tarde nunca fez mal a ninguém e ajudou a tragar a má exibição duma equipa que sem Liedson não dignifica essa designação. Deixo aqui uma dúvida que me assombra há muito: que é um Tiuí? (será algo mais do que um djaló com penteado alternativo?).
É sempre agradável ver o português fora do seu habitat. Todos os seus tiques saem hiperbolizados: o fanático do Sporting que larga bitaites e ameaça os benfiquistas com "cabeçadas à pai natal", ou que insiste no "amandou-se para o chão", and so on...

E esta interacção motivou-me a escrever novo romance. Ei-lo:

Cansado da vida árdua que levava na aldeia, aos 14 anos Gustavo decidiu amandar-se rumo ao horizonte infinito, em busca de uma vida mais próspera para os lados de Santa Maria da Feira. Não vingou, tendo morrido dolorosamente aos 16, esfomeado, sujo e com a blusa comida pelas traças.

O fim.


Findado o jogo do meu Sporting o comboio levou-me de volta a Manhattan, onde fui a um espectáculo semanal de improvisação cómica, o Upright Citizens Brigade (liderado por Amy Poehler do Saturday Night Live). Mal me sento vejo na fila à minha frente, duas cadeiras ao lado, a actriz Parker Posey. "hmmm" - pensei, intensa e profundamente como é meu apanágio. E eis que subitamente ocupam a fila atrás de mim nova horda de famosos: Will Arnett, John Krasinski e Rashida Jones. O espectáculo foi extraordinário, ainda para mais quando é inventado ali no segundo. As cenas sucedem-se, os cómicos dão pequenos toques nas costas uns dos outros para substituir a personagem e avançar para uma cena seguinte. Só visto.


Adiante. A passear pela Houston Street, onde há um mero vislumbre de flea market, deparei-me com a melhor mesa na história das melhores mesas.



Óscares. Finalmente vi-os a horas decentes. E vibrei, eu que por crença não vibro, desta vez vibrei. Vibrei com Javier Bardem a discursar e vibrei com a vitória de Falling Slowly como melhor música, com a actuação de Hansard e Irglova e o discurso deles. O filme, Once, que já aqui recomendei, sustentado pela banda sonora e pela simplicidade dum argumento que teve apenas usd$100.000 para ser produzido, teve o seu merecido momento de consagração no maior palco mundial.

Outra curiosidade foi o lançamento póstumo de Lavagante, de José Cardoso Pires. Já está, obviamente, à minha espera em Lisboa.

Finalmente, tenho vindo a reparar na crescente Elton-Johnização de Herman José. Só um apontamento, mas espero que esta designação "pegue".

Saturday, February 23, 2008

Headhunter

Este email vai dedicado ao meu desaparecido (sinónimo de casado) amigo Duarte Castro: quando decidires abandonar a Michael Page e começar o teu próprio negócio, posso tratar-te da comunicação? Eis o meu pitch:

ps: empresa de headhunting providencia recrutamento externo ao cliente.

O Jogador


“uma vaga expressao de carneiro faz as vezes de profundidade de pensamento”

Fiódor Dostoievski in O Jogador

angkor wat, cambodja, 2007. Em minha defesa, estava com 40º de febre.

Starbucks chega a Portugal



Estranhamente tarde, eis que a Starbucks se prepara para entrar no mercado português, numa joint venture com a cadeia espanhola de posh fast food, Vip's.

Não se atemorizando pelo rotundo insucesso da marca cup&ccino em Portugal, a Starbucks apresenta basicamente o mesmo serviço mas sustentado por todo um mediatismo que a envolve e que lhe permitiu estar em cada esquina, por exemplo, de Manhattan.

Ainda no passado fim-de-semana, estava eu em Times Square com o Manuel Xara Brasil e deu-nos um anseio pouco másculo por caffe latte com uma pitada de baunilha no topo, envolta pela espuma que a aconchega como um anjo entre as nuvens... "Slap" esbofeteio-me para ganhar uma entretanto desaparecida compostura. Estávamos em busca de um starbucks, mas tivemos que andar 3, REPITO 3 quarteirões para encontrar um! "É como a polícia, quando precisas de um, nunca está por perto" diziamos. E sim, esta situação é exemplo categórico.

Para nós, portugueses, nada há a perder com a chegada da cadeia às nossas ruas: se vingar, óptimo, mais uma opçao e um sítio fashion para passar uma tarde com amigos ou com o macintosh; se não vingar, óptimo, manteremos a nossa postura de povo irascível e de costumes bem vincados nesta ponta da Europa.

Wednesday, February 20, 2008

The Manhattan Crowd




Mais de 1,500,000 pessoas vivem em Manhattan, num espaço inferior a 60 km2. O mesmo espaço inferior a 60 km2 recebe ainda, diariamente, outros tantos milhares: são as multidões que trabalham nesta ilha mas vivem nas suas regiões periféricas: Long Island, Brooklyn, Queens, Bronx e New Jersey. Somando tanta gente dá imensa gente, mais coisa menos coisa.

Ora multidão + ilha do tamanho de cabine telefónica (mentira, Manhattan é surpreendentemente gigantesco e duvido que uma longevidade de tartaruga fosse suficiente para esburgar tudo o que aqui acontece), repito multidão + ilha do tamanho de uma cabine telefónica extremamente grande = CAOS.


"Fogo", rebate a minha incredulidade à equação prévia. Calma, incredulidade, deixa-me prosseguir. Esta aparente babel cedo se revela enganadora. Bastam uns dias, ou mesmo umas horas submergidos nela para uma outrora avassaladora realidade nos acolher e, porque não, nos abraçar. Subitamente, vemo-nos envolvidos num bailado urbano de dimensão majestosa: são centenas de milhares de pessoas que se cruzam por estas geométricas ruas com uma sincronização maquinal; espaços formam-se onde anteriormente vivalma caberia, albergando quem agora se junta à corrente; a nórdica de um metro e oitenta e quatro, vinda agora do seu apartamento em uptown, caminha imediatamente atrás, mas ao seu próprio ritmo, do asiático que acabou de entregar um sushi combo mesmo ali ao lado, que por sua vez segue a pisada do perneta que com tanto ano de Manhattan consegue ditar e não atrofiar o ritmo de uma caminhada.
Aquilo que poderia aparentar, quando visto de fora, uma mecânica linha de montagem, sem saber como nem porquê, possui uma intensidade humana que a eleva do que poderia ser visto como deprimente, até ao mágico e, quem sabe se não, por vezes, de volta ao deprimente.
"Blá, blá, blá" - protesta a minha incredulidade - "então e o sangue?". Como dignificas o pronome "minha", incredulidade... Cá vai: como qualquer espectáculo ao vivo, também este não se encontra incólume ao erro: o mendigo embriagado que cai para os carris do metro; o advogado que escorrega na rua entretanto congelada; o louco que assedia quem já só pensa em chegar a casa e sair do frio. Pequenos espirros caóticos. Adiante.
Intrinsecamente humano, o bailado ganha nova dimensão ao fim de semana. Nessa altura, o indivíduo dá lugar ao par de namorados ou à familia, os olhares largam o chão e o sorriso espreguiça-se sem pudor nem quota. Passeios na 5th avenue, patinagem no Central Park, compras que começam caras no SoHo e cujo preço segue a direcção da caminhada rumo a Chinatown. O caos, esse, mantem-se; a ordem, no entanto, dá lugar à vida. É a mudança de turno.
São duas dimensões de Manhattan, dois actos de uma mesma peça.

"zzzzz" - a minha incredulidade dorme. "É correcto colocar aspas quando simulas a emissão de um som?" - disse ela, acordando propositadamente para me zombar. "Tem nome, é onomatopeia. Quanto às aspas, deixa-as estar, vou arriscar" - retorqui eu, algo incrédulo pela crescente importância desta figura com o avançar do texto.

Monday, February 11, 2008

de volta à Checoslováquia


A minha pessoa, na fase pós-Cáucaso, a caminho de Kosice. A mota não era veloz, mas os mosquitos eram pujantes.

Sunday, February 10, 2008

10 days later



Exuberantemente homossexual este meu salto.

Friday, February 1, 2008

Mon Dieu



Abro o site maisfutebol e deparo-me com um anúncio. Já é chato quando ocupam todo o ecrã e o meu instinto de cibernauta apenas procura o X que o fará desaparecer, permitindo à minha vida regressar a uma normalidade tão rudemente interrompida.
Mas não, desta vez passei o anúncio e tive que voltar atrás. Não queria acreditar no que via. Grande parte dos anúncios nem tentam dar uma volta criativa ao briefing, limitando-se a comunicar "vendemos isto por isto", "beneficie disto", "quer isto? faça aquilo". O prazer de trabalhar numa industria criativa é, imagine-se, a possibilidade de ser criativo, e isso engloba milhares de ideias pelo cano abaixo até uma funcionar.

First Thoughts podem funcionar mas, por norma, são meros caminhos que poderão, eventualmente e após escavada a superfície, levar a algo bom. Ora o anúncio que eu vi é algo que se eu mostrasse a alguém aqui na agência, das duas, uma: ou nem se dignavam em o comentar, ou vomitariam sobre ele e eu ficaria irremediavelmente mal visto.

O conceito nada tem de novo, sondemos o pensamento do sujeito que fez isto: ora o skoda é espaçoso, tens mais espaço. Não vamos mostrar um interior mostruosamente grande onde cabe tudo, ou um campo de feno gigante onde um sujeito tem espaço para fazer o que queira, isto são execuções gastas. Vamos tentar brincar com o conceito de espaço... espaço... espaço... que tal o puto astronauta? siiiiim, porreiro. Ah, e faz a chalaça de meter o puto perto da nave como quem vai para o espaço e dizes ao pai "mais espaço para a sua vida" hahahaha, percebes? é tão grande que vai parecer que o miúdo foi para o espaço onde andou perdido em órbita até chegarem a casa, onde fecham o puto no quarto a jogar super nintendo!

Dói!

Xau!

Lcf!


ps: para equilibrar a qualidade no post, a música é extremamente agradável. Eels!

Superbad



Todas as 5ªs feiras a agência tem uma tab num bar aqui perto no valor de USD$500. Toda a gente vai lá e bebe até esgotar o orçamento. Dá para cerca de 2 bebidas, excepto para o labrego que sai a correr antes de todos e pede oito vodkas groselha para beber dentro da divisória do w.c.
Ora passadas duas coronas voltei para casa, onde jantei e trabalhei um par de horas. Entreguei-me ao sofá manhoso que é a coroa de glória do meu quarto (no panorama mobiliário) e fui indagar com que filmes havia sido contemplado pelo netflix: My Life Without Me, Night on Earth e Superbad. Cansado e sem disposição para reflexões de qualquer género, decidi-me pelo derradeiro. 1 hora e 50 minutos? vejo até aguentar - pensei, pois raros são os filmes que hoje em dia consigo ver de costa a costa.

O filme começou e com ele os meus ligeiros risos, sempre de difícil extracção. Os actores são deliciosamente nabos. Um já o conhecia, da brilhante série Arrested Development. Coelho. Sim, coelho. Adiante. Não é a habitual comédia cliché e de graçola fácil. Aproveita-se, claro está, no elevado coeficiente de nabice dos protagonistas, mas expande-se para um nível bastante agradável. McLovin é um nome que se tornará referência. Na minha Lisboa será o correspondente ao Afonso Menezes. Deixo aqui a trailer para aguçar apetites, com a ressalva de que o forte do filme não são as quedas fáceis que abundam na mesma, mas as situações intermédias de desconforto e de inteligência cómica que tornam o filme abrangente em termos de público-alvo.




PS: peço perdão pela fonte asquerosa, mas é em prol da legibilidade que foi algo afectada pela alteração do papel de cyberparede. Ganha-se em estilo, perde-se em...estilo = empata-se em estilo.

Saturday, January 26, 2008

HDR

Faz agora uns tantos meses desde que descobri a técnica fotográfica denominada por HDR. Primeiro achei que se tratava duma qualquer máquina especial; depois, a minha ignorância deu lugar à curiosidade e, após pesquisar, percebi que eram várias fotografias idênticas com exposições diferentes (de modo a obter as cores, sombras, etc. mais ricas), juntas numa só no computador (photoshop, por exemplo), à qual se adiciona umas piroseiras para criar um efeito quase de desenho 3d.
Ora após algumas tentativas frustradas, finalmente consegui algo decente. Tirei 3 fotografias às traseiras de minha casa, vulgo vista do meu quarto: uma normal, uma muito clara e uma muito escura. Eis o resultado e, em baixo do mesmo, a fotografia no modo automático (cliquem para aumentar).



Thursday, January 24, 2008

NY Post (get it?)



Estranhamente, muito se tem passado em Nova Iorque, enquanto tudo se mantém relativamente inalterado em Santa Maria da Feira.

Heath Ledger morreu e um borburinho trespassou Manhattan. A poucos quarteirões de minha casa, no Soho, de overdose e aos 28 anos. Estava eu em reunião quando o corpo, encontrado pela mulher-a-dias, estava a ser levado para a ambulância. Obviamente que esse foi o tema que serviu de pontapé de saída para a dita reunião, ou a namorada do meu "superior" não fosse uma das curiosas que tirava fotos mórbidas à porta de casa do defunto.

Eu: porra, tinha só mais 1 ano que eu...
Zeca: e tinha um bebé!
Eu: Era casado? com quem?
Zeca: Era separado da Michelle Williams.
Eu: A mulher dele no Brokeback Moutain? Ou era a mulher do outro?
Zeca: Sim, era a mulher dele.
Eu: Acho que foi o único filme dele que vi. Ah, e o 10 coisas que não-sei-o-quê em ti, mas isso não é conta. Ah, e o musical dos cavaleiros. Mete um bocado de impressão, não?
Zeca: Sim, e vivia 2 ruas ao lado do meu antigo apartamento.
Eu: Bom bairro?
Zeca: Sim, porreiro. Cuidado, não te ponhas em cima das tampas de esgoto, às vezes explodem. Não sei se já reparaste mas em NY não existem postes de electricidade, é tudo subterrâneo. E às vezes corre mal...
Eu: Oh, tás a dar baile, tipo geyser?
Zeca: Conheço um gajo que viu uma explosão dessas a 10 metros dele. Logo, vá, 2 passinhos ao lado.
Eu: Bem, onde se janta?
Zeca: Thai?


Heath Ledger, 1979-2008

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Passando agora a notícias boas sobre Nova Iorque: a cidade vai parar dia 3 de Fevereiro para ver a Superbowl. Isto porque, contra todas as previsões, os Giants conseguiram qualificar-se para a final.
A qualificação sucedeu na precisa altura em que eu via o jogo da NBA referido num post anterior, entre Knicks e Pistons. Como os americanos são entidades polidesportivas (ao contrário dos portugueses que gostam de futebol e têm a noção que somos bons a hóquei em patins), enquanto um jogo decorria no solo, os ecrãs gigantes suspensos que formam um cubo mostravam os derradeiros segundos da meia final do futebol americano, entre os NY Giants e os Green Bay Packers. Claro está que toda a gente ignorava o jogo de basket e os nervos assolavam os novaiorquinos presentes no pavilhão (contagiando o resto dos presentes, como eu), cuja equipa de futebol entrara para este jogo como claro underdog, vendo-se agora a escassos momentos de uma histórica presença na final. Mal o apito final soou, um brado conjunto varre o pavilhão, tão poderoso que o jogador de basket que estava na linha de lance livre falhou clamorosamente a execução, para riso geral.
E agora toda a cidade aguarda ansiosamente o dia da Superbowl, 3 de Fevereiro!


Em assunto de última hora, estava eu a deambular online quando cheguei ao site da histórica sala de espectáculos Carnegie Hall. A mera presença na sala é um facto digno de destaque, mas acabei de comprar bilhetes para o Tibet House Benefit Concert que conta com diversos artistas, entre os quais destaco um dos meus ícones actuais Sufjan Stevens e a brasileira Marisa Monte. Uma noite a aguardar impacientemente.