"Oi pessoal" - digo eu, algo envergonhado após tanto tempo passado sem um mero post escrito.
"Oi?" - respondes-me tu, Nunes.
"Desnecessariamente abrasileirado?" - indaguei, encolhido.
"Indubitavelmente" - disseste, Nunes. Lembro-me vividamente do teu ar superior que me recordava um daqueles grandes dançarinos que eleva a dança de salão a candidato a desporto olímpico. - "Começa lá o post e deixa-me ouvir Lightspeed Champion em paz enquanto o leio".
"De acordo" - respondi, acenando afirmativamente com a cabeça. De resto, Nunes, sempre foste para mim um farol de razão.
Então comecemos, como sempre, em ordem contra-cronológica:
Ontem fui até Newark, de encontro à grande comunidade emigrante portuguesa e à transmissão televisiva do derby. Uma piela a meio da tarde nunca fez mal a ninguém e ajudou a tragar a má exibição duma equipa que sem Liedson não dignifica essa designação. Deixo aqui uma dúvida que me assombra há muito: que é um Tiuí? (será algo mais do que um djaló com penteado alternativo?).
É sempre agradável ver o português fora do seu habitat. Todos os seus tiques saem hiperbolizados: o fanático do Sporting que larga bitaites e ameaça os benfiquistas com "cabeçadas à pai natal", ou que insiste no "amandou-se para o chão", and so on...
E esta interacção motivou-me a escrever novo romance. Ei-lo:
Cansado da vida árdua que levava na aldeia, aos 14 anos Gustavo decidiu amandar-se rumo ao horizonte infinito, em busca de uma vida mais próspera para os lados de Santa Maria da Feira. Não vingou, tendo morrido dolorosamente aos 16, esfomeado, sujo e com a blusa comida pelas traças.
O fim.
Findado o jogo do meu Sporting o comboio levou-me de volta a Manhattan, onde fui a um espectáculo semanal de improvisação cómica, o Upright Citizens Brigade (liderado por Amy Poehler do Saturday Night Live). Mal me sento vejo na fila à minha frente, duas cadeiras ao lado, a actriz Parker Posey. "hmmm" - pensei, intensa e profundamente como é meu apanágio. E eis que subitamente ocupam a fila atrás de mim nova horda de famosos: Will Arnett, John Krasinski e Rashida Jones. O espectáculo foi extraordinário, ainda para mais quando é inventado ali no segundo. As cenas sucedem-se, os cómicos dão pequenos toques nas costas uns dos outros para substituir a personagem e avançar para uma cena seguinte. Só visto.
Adiante. A passear pela Houston Street, onde há um mero vislumbre de flea market, deparei-me com a melhor mesa na história das melhores mesas.
Óscares. Finalmente vi-os a horas decentes. E vibrei, eu que por crença não vibro, desta vez vibrei. Vibrei com Javier Bardem a discursar e vibrei com a vitória de Falling Slowly como melhor música, com a actuação de Hansard e Irglova e o discurso deles. O filme, Once, que já aqui recomendei, sustentado pela banda sonora e pela simplicidade dum argumento que teve apenas usd$100.000 para ser produzido, teve o seu merecido momento de consagração no maior palco mundial.
Outra curiosidade foi o lançamento póstumo de Lavagante, de José Cardoso Pires. Já está, obviamente, à minha espera em Lisboa.
Finalmente, tenho vindo a reparar na crescente Elton-Johnização de Herman José. Só um apontamento, mas espero que esta designação "pegue".
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Monday, March 3, 2008
aleatoriedades
por
LCF
às
10:43 AM
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nikita kruschev's comments
Labels: curiosidades, diário, escárnio
Friday, February 1, 2008
Mon Dieu
Abro o site maisfutebol e deparo-me com um anúncio. Já é chato quando ocupam todo o ecrã e o meu instinto de cibernauta apenas procura o X que o fará desaparecer, permitindo à minha vida regressar a uma normalidade tão rudemente interrompida.
Mas não, desta vez passei o anúncio e tive que voltar atrás. Não queria acreditar no que via. Grande parte dos anúncios nem tentam dar uma volta criativa ao briefing, limitando-se a comunicar "vendemos isto por isto", "beneficie disto", "quer isto? faça aquilo". O prazer de trabalhar numa industria criativa é, imagine-se, a possibilidade de ser criativo, e isso engloba milhares de ideias pelo cano abaixo até uma funcionar.
First Thoughts podem funcionar mas, por norma, são meros caminhos que poderão, eventualmente e após escavada a superfície, levar a algo bom. Ora o anúncio que eu vi é algo que se eu mostrasse a alguém aqui na agência, das duas, uma: ou nem se dignavam em o comentar, ou vomitariam sobre ele e eu ficaria irremediavelmente mal visto.
O conceito nada tem de novo, sondemos o pensamento do sujeito que fez isto: ora o skoda é espaçoso, tens mais espaço. Não vamos mostrar um interior mostruosamente grande onde cabe tudo, ou um campo de feno gigante onde um sujeito tem espaço para fazer o que queira, isto são execuções gastas. Vamos tentar brincar com o conceito de espaço... espaço... espaço... que tal o puto astronauta? siiiiim, porreiro. Ah, e faz a chalaça de meter o puto perto da nave como quem vai para o espaço e dizes ao pai "mais espaço para a sua vida" hahahaha, percebes? é tão grande que vai parecer que o miúdo foi para o espaço onde andou perdido em órbita até chegarem a casa, onde fecham o puto no quarto a jogar super nintendo!
Dói!
Xau!
Lcf!
ps: para equilibrar a qualidade no post, a música é extremamente agradável. Eels!
Mas não, desta vez passei o anúncio e tive que voltar atrás. Não queria acreditar no que via. Grande parte dos anúncios nem tentam dar uma volta criativa ao briefing, limitando-se a comunicar "vendemos isto por isto", "beneficie disto", "quer isto? faça aquilo". O prazer de trabalhar numa industria criativa é, imagine-se, a possibilidade de ser criativo, e isso engloba milhares de ideias pelo cano abaixo até uma funcionar.
First Thoughts podem funcionar mas, por norma, são meros caminhos que poderão, eventualmente e após escavada a superfície, levar a algo bom. Ora o anúncio que eu vi é algo que se eu mostrasse a alguém aqui na agência, das duas, uma: ou nem se dignavam em o comentar, ou vomitariam sobre ele e eu ficaria irremediavelmente mal visto.
O conceito nada tem de novo, sondemos o pensamento do sujeito que fez isto: ora o skoda é espaçoso, tens mais espaço. Não vamos mostrar um interior mostruosamente grande onde cabe tudo, ou um campo de feno gigante onde um sujeito tem espaço para fazer o que queira, isto são execuções gastas. Vamos tentar brincar com o conceito de espaço... espaço... espaço... que tal o puto astronauta? siiiiim, porreiro. Ah, e faz a chalaça de meter o puto perto da nave como quem vai para o espaço e dizes ao pai "mais espaço para a sua vida" hahahaha, percebes? é tão grande que vai parecer que o miúdo foi para o espaço onde andou perdido em órbita até chegarem a casa, onde fecham o puto no quarto a jogar super nintendo!
Dói!Xau!
Lcf!
ps: para equilibrar a qualidade no post, a música é extremamente agradável. Eels!
por
LCF
às
10:03 AM
1 nikita kruschev's comments
Labels: escárnio, publicidade
Thursday, December 27, 2007
Galletas
A embalagem de bolachas do El Corte Inglés é, à vista desarmada, em tudo semelhante às consagradas bolachas LU.
Nada mais errado: tem espaço vertical para albergar facilmente 3 unidades, mas as retorcidas mentes espanholas resolveram criar uma saliência oca que ocupa o espaço destinado a uma dessas unidades, uma inovação no empacotamento que sai seguramente mais barato do que a tal terceira bolacha pela qual o obeso tanto anseia.
Pessoalmente, acho vergonhoso, até porque havia sido educado pelas LU que "três é a conta que Deus fez".
Shame on you, El Corte Inglés.
Nada mais errado: tem espaço vertical para albergar facilmente 3 unidades, mas as retorcidas mentes espanholas resolveram criar uma saliência oca que ocupa o espaço destinado a uma dessas unidades, uma inovação no empacotamento que sai seguramente mais barato do que a tal terceira bolacha pela qual o obeso tanto anseia.
Pessoalmente, acho vergonhoso, até porque havia sido educado pelas LU que "três é a conta que Deus fez".
Shame on you, El Corte Inglés.
por
LCF
às
5:32 AM
2
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Labels: escárnio
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