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Saturday, June 28, 2008

Wes Anderson

Tal como a minha mãe pontapeava sopa pela boca a dentro do seu contrariado filho, também eu impinjo Wes Anderson às mentes dos meus amigos. Sei que a médio prazo me agradecerão.

"No outro dia, no escritório, estava toda a gente a falar do Life Aquatic" - disse-me um vergado Matos e Silva que, meras duas semanas antes, regou de protestos o visionamento do filme em minha casa. E eis que subitamente se viu menos ignorante graças a uma amizade comigo que, bastas vezes, lhe deve parecer de utilidade dúbia. Mas eis que o médio se torna curto. Prazo, claro está.

Os filmes de Wes Anderson e cia. (imperativo deixar aqui o nome de Owen Wilson) não estão aquém de deliciosos (sim, a minha escala avaliativa contem um delicioso, bem perto do topo). Ter Bill Murray como personagem secundária não é para quem quer. Refraseando: Ter Bill Murray não é para quem quer.

Life Aquatic with Steve Zissou é muito bom. The Royal Tenenbaums é divinal. Rushmore é, se a memória não me falha, aprazível. O último que vi, The Darjeeling Limited, cimentou-o na minha mente como cineasta de culto.
São todos filmes de enredo aparentemente simples (ou quanto muito com uma premissa central bem definida), mas pedem uma abertura ao pormenor que a maioria não está predisposta a oferecer. Their loss.


Por falar em filmes, vou voltar para o sofá, de onde me levantei para escrever isto, e onde me encontrava a ler o Efeitos Secundários do Woody Allen - editado em 1980, ou seja, tudo contos escritos antes de eu nascer. Sinto-me esmagado pela genialidade que nos precede, inclusive nas técnicas milenares dos mestres sopistas.

Saturday, March 8, 2008

Uma da manhã...



...e acabei, faz 10 minutos, de ver o filme "the belly of an architect", de 1987. A banda sonora é de Wim Mertens, cuja música também acelera um dos meus anteriores posts. Extraordinário. Para quem não o conhece, digamos que é um Rodrigo Leão belga. Estudou em Leuven (destino de luxo para erasmus nesse país, e em Gent - aquela que foi a minha primeira 2ª cidade).

Ao filme dou 4 estrelas em cinco. Homenagem não só à saudosa banda 4 Non Blondes, como também aos Abba e aos 3 mosqueteiros + d'Artagnan, esse penetra.

Esta semana que agora passou e a que inevitavelmente se aproxima marcam a minha última quinzena de estágio em Nova Iorque. Seguir-se-á nova quinzena, mas de lazer, que marcará a minha despedida desta cidade que tão bem me acolheu e cuja carteira pouco subtilmente me chupou. Deduzo que seja como as putas, essas operárias que enquanto temos dinheiro nos tratam como reis. Grande puta, esta maçã.

NY mascarada de dançarina de flamenco

Têm sido dias passados frente ao monitor, mergulhado em photoshop, de manhã à noite com pausa de meia hora para almoço. O meu mais recente vício, sushi. A usd$5,50 no restaurante no lobby do prédio onde trabalho, e com qualidade mais do que aceitável, é difícil resistir. Mas tento: almoçar 4 vezes sushi numa semana de 5 dias parecia-me pouco razoável, mas ia-me mentindo enquanto podia. "Se faz bem (ou menos mal) e gosto, porque não"? Até que duas situações me fizeram cair em mim. Alguém no escritório teve a audácia de me perguntar se como sempre sushi. Franzindo a minha sobrancelha interior, respondi que sim. Semanas depois resolvi almoçar algo diferente, um prato de carne. Caminhando em direcção à caixa, a sul-americana que lá trabalha sorria-se para mim. "se fosses gira, sorria de volta" - pensei, fútil como sempre. "No sushi today?" pergunta-me. "Ah... filha duma grande maçã!" disse no meu melhor sotaque soviético, e desde esse dia passei a pagar do outro lado da loja.
Agora, janto sushi. Telefono, peço delivery, e pago usd$15.

Friday, February 1, 2008

Superbad



Todas as 5ªs feiras a agência tem uma tab num bar aqui perto no valor de USD$500. Toda a gente vai lá e bebe até esgotar o orçamento. Dá para cerca de 2 bebidas, excepto para o labrego que sai a correr antes de todos e pede oito vodkas groselha para beber dentro da divisória do w.c.
Ora passadas duas coronas voltei para casa, onde jantei e trabalhei um par de horas. Entreguei-me ao sofá manhoso que é a coroa de glória do meu quarto (no panorama mobiliário) e fui indagar com que filmes havia sido contemplado pelo netflix: My Life Without Me, Night on Earth e Superbad. Cansado e sem disposição para reflexões de qualquer género, decidi-me pelo derradeiro. 1 hora e 50 minutos? vejo até aguentar - pensei, pois raros são os filmes que hoje em dia consigo ver de costa a costa.

O filme começou e com ele os meus ligeiros risos, sempre de difícil extracção. Os actores são deliciosamente nabos. Um já o conhecia, da brilhante série Arrested Development. Coelho. Sim, coelho. Adiante. Não é a habitual comédia cliché e de graçola fácil. Aproveita-se, claro está, no elevado coeficiente de nabice dos protagonistas, mas expande-se para um nível bastante agradável. McLovin é um nome que se tornará referência. Na minha Lisboa será o correspondente ao Afonso Menezes. Deixo aqui a trailer para aguçar apetites, com a ressalva de que o forte do filme não são as quedas fáceis que abundam na mesma, mas as situações intermédias de desconforto e de inteligência cómica que tornam o filme abrangente em termos de público-alvo.




PS: peço perdão pela fonte asquerosa, mas é em prol da legibilidade que foi algo afectada pela alteração do papel de cyberparede. Ganha-se em estilo, perde-se em...estilo = empata-se em estilo.

Wednesday, January 16, 2008

Once

Once é um filme/musical irlandês que tive o prazer de ver ontem. Trata de um trintão em Dublin e a sua música que, apesar de boa, está ainda por "descobrir". Para quem gosta de música indie/singer-songwriter, este filme é bastante bom (para não dizer obrigatório e apresentar-vos o filme sob uma aura de genialidade que levará ao inevitável desapontamento) e o indivíduo em questão, uma agradável surpresa. Ao pesquisar posteriormente - e o que vou dizer é um spoiler, pelo que se forem ver o filme leiam isto à posteriori -, descobri que o actor principal (cujo nome jamais é desvendado ao longo de todo o filme - nem o dele nem o da co-protagonista) é um artista consagrado na cena musical britânica e líder da banda Frames: as músicas do filme são dele (e da respectiva banda). Eis uma bela parceria para não só se realizar um bom filme, mas também uma eficaz promoção à música que faz parte integrante, se não mesmo de combustível da obra.



Monday, December 10, 2007

Flight of the Conchords

Eis mais uma das brilhantes séries da HBO, que destronou Curb Your Enthusiasm da pole position das minhas séries cómicas preferidas.

Conta-nos a vida duma dupla musical neozelandesa que tenta vingar em NY. No meio da série, subitamente, a acção transforma-e num videoclip. As música têm tanto de bom quanto de variado, e deixo aqui dois vídeos das dezenas que estão disponíveis online.






Outras séries cómicas pós Seinfeld e Friends:

Extras
The Office (versão BBC e americana)
Coupling
It's Always Sunny In Philadelphia

E, em formato sketches:
Little Britain
Big Train

Tuesday, November 13, 2007

IRON & WINE



foto por Stephen Dowling


Faz agora aproximadamente muitos anos desde o dia em que comecei a escutar Iron & Wine, pelo que tenho visto Sam Beam "crescer". É com muito orgulho que carrego todos os seus albums no meu ipod.

Ultimamente as suas músicas podem ser escutadas em diversas bandas sonoras de outros tantos filmes, para dar mais cor a momentos inevitavelmente melancólicos. Os seus concertos podem ser apreciados por fãs pelas maiores cidades do mundo (sendo que Lisboa, como sempre, se viu excluída). Gravou, inclusivé, um EP em conjunto com os Calexico.

Mas se há algo a salientar, esse algo é o facto de apesar da fama adquirida e do evoluir das suas técnicas de gravação e composição, cujos primórdios eram baseados num delicioso acústico caseiro gravado em cassetes (métodos tradicionais que o tornavam tão único no panorama actual), apesar do salto do seu sofá em Miami para os palcos mundiais, Beam mantém praticamente inalterado o seu inimitável registo intimista. Evoca, desde sempre, aquilo que vejo como um pacifismo melódico, o que lhe permite não só alcançar novos fãs como também, e mais importante, manter ao seu lado no sofá aqueles que há anos o admiram.